Muitos perguntam se assassinos podem de fato receber o perdão de Deus após a suposta conversão.
Ora, a graça de Deus age efetivamente na sinceridade humana.
Um coração duro, ou mesmo aproveitador jamais verá a Deus. Fato é que a própria sinceridade advém da percepção da graça, por isso foi dito, onde abundou o pecado superabundou a graça de Deus, para que a salvação fosse em tudo atributo de Deus e não dos homens.
O desejo dos que foram lesados, mais do que a punição q também é legitima, deveria ser o arrependimento no mais profundo da alma do agressor. Ou seja, antes de punir o corpo, que o coração fosse quebrantado para a punição da própria consciência, antes mesmo do juízo das leis humanas.
E caso tal indivíduo não se arrependa sofrerá a punição do Eterno e não meramente dos homens. Por isso também foi dito: Dá de comer ao teu inimigo, se estiver com fome, com sede, enfim, pois fazendo assim amontoarás brasas de fogo em sua cabeça.
Já a alguns anos o assassino de Daniela Perez se converteu e está hoje frequentando a Igreja da Lagoinha. Uma conhecida da mãe da vítima que por acaso é psicóloga, decidiu inserir em seu livro: “Mentes perigosas” que menciona casos de psicopatas assassinos (Considerando que nem todo psicopata comete crimes hediondos) a história de Guilherme de Pádua. Na descrição ela tenta convencer o leitor de que tal criminoso é um psicopata perigosíssimo.
Para nós cristãos que conhecemos a graça de Deus, sabemos que de fato todos pecaram e portanto torna mais complexo um julgamento severo sobre criminosos mesmo da pior espécie. No entanto devemos fazer diferença de erros, crimes e pecados. Para Deus todo pecado é passível de nos retirar de sua presença e se não fosse o sacrifício de Yeshua estaríamos perdidos. Sendo assim, tanto a idolatria quanto o assassinato são abomináveis para o Eterno, tanto é que estão incluídos na tabua de pedra da Lei.
Nesse sentido não existe pecado maior ou menor.
O irmão de Jesus já dizia: Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos. Porque aquele que disse: Não cometerás adultério, também disse: Não matarás. Se tu pois não cometeres adultério, mas matares, estás feito transgressor da lei. (tiago 2: 10-11)
Mas no que se refere ao erro obviamente existem graduações e consequências inevitáveis e é bem verdade que toda ação seja ela boa ou má gerará um efeito diverso.
Diante da moral vigente de nossa sociedade, em via da moral universal, matar um inocente É CRIME que por consequência condena o transgressor a morte. Na Torah segue-se a tradição das leis semitas: “Olho por olho e dente por dente”. Mas na relativização dos termos por intermédio dos direitos humanos propagados teoricamente na revolução francesa, o castigo será mediante um julgamento meritório conforme um tribunal secular que diante das leis cívicas condene os criminosos dentro de legislações previamente conhecidas, considerando os direitos de todos os indivíduos.
Assim sendo no que se refere aos homens, a punição não será aliviada, caso se reconheça o crime. Deus outorgou às potestades do Estado os desígnios de ordem social e ninguém poderá dizer: “eu não sabia”.
Porém é óbvio que o Estado erra e o Estado também pode tornar-se criminoso, seja o poder executivo, legislativo ou judiciário. Por que existe tanta impunidade em nome da fé? Simplesmente por causa da mesma corrupção que corrói o indivíduo que comete homicídio.
No que se refere ao Eterno, Ele mesmo conhece a sinceridade dos corações e não desprezará um coração quebrado e contrito, pois esse, como já disse, deveria ser o castigo mais profundamente desejado das vítimas para com seu agressor, ou seja, que seus inimigos se arrependam até o pó da alma, do contrário as brasas de fogo permanecem até o dia do juízo porquanto ver um criminoso arrogante e duro de coração é uma das coisas mais nojentas e patéticas, dignas de rejeição.
Por isso se faz necessário dizer que toda e qualquer justificativa de um assassino é por assim dizer insana, pra ele assim como para nós só resta a justiça pela fé. Dessa forma, conforme nosso exemplo, se Guilherme de Pádua já cumpriu sua pena e ainda hoje continua a se humilhar como deve ser até o fim de seus dias por causa do estigma de seu crime e da alma que ceifou, assim como o fez Paulo, certamente será justificado por Deus.
É bom que o assassino chore pela alma que ceifou muito mais do que a mãe que perdeu a filha. Posto que qualquer indiferença da parte deste será tida como suspeita grave.
Sei que esse é um tema obscuro, difícil, que envolve contradições éticas, porém penso ser justo desejar que os criminosos se vistam de sacos e lancem seu rosto nas cinzas, porque isso é a única coisa que lhes resta.
Além de ser justo enfatizar que nós que não temos dívidas para com a legislação de nosso país, saibamos andar em humildade diante de Deus, posto que também falhamos…











Se um criminoso se converte, supomos naturalmente que ele saiba muito bem o que está fazendo. Portanto se ele pensa apenas em se livrar da culpa de seu passado, se engana. Porque qualquer que se converte a qualquer que seja a igreja sabe muito bem, que de Deus nada se esconde. Deus sabe todas as intenções de nossos corações, portanto não é possível enganá-lo. E não devemos supor que assassinos ou criminosos sejam necessariamente imbecis. Sabem muito bem onde estão se colocando, quando a adentram a igreja.
Só nos resta tomar a máxima cautela em não levantar julgamentos levianos contra essas pessoas.
Essas pessoas se propuseram voluntariamente a apagar seu passado. Seja pela motivação que for, Deus saberá, e sabe. E a sua paga será justa!
Sim, fato é que o mal do criminoso tem vinculo intimo com o mal de todos os seres humanos. Obviamente que não vou relativisar a justiça quanto ao fato de cada um dar conta de si perante a lei. Mas não podemos nos esquecer que todos falharam, posto que esse “bondadismo” do politicamente correto é só uma forma de tentar camuflar essa verdade. Neste caso cada indivíduo será julgado pelas suas inclinações peculiares.