Ética x Moral – Filósofos contemporâneos 


Introdução:

Estes são pequenos resumos das minhas aulas de filosofia. A matéria de Ética é extremamente extensa, mas não poderia deixar de incluir uma síntese sobre o assunto neste espaço.

Até porque em matéria de moralidade a maioria dos religiosos são muito enrijecidos, e como boa parte do meu blog trata de assuntos vinculados a autenticidade do indivíduo religioso assim como sua hipocrisia e falsidade, deixo aqui além da matéria dos autores citados, minhas opiniões para reflexão, posto que nossa intenção não é a de se vangloriar com tolices, mas de falar às pessoas as benesses de Cristo, porquanto até o presente momento os profetas mais sinceros parecem estar nascendo fora dos arraiais da instituição clerical e contraditoriamente renegando a religião por pura suspeita (Obviamente muitas instituições não são necessariamente ruins).

Não me refiro porém, diretamente aos filósofos aqui citados, visto q tenho sérias discordâncias de suas ideias,  ideias estas que tendem a quase total subversão…

Bem vamos começar:

Existe uma Multiplicidade de conceitos para a palavra ética. Portanto diferentes compreensões para o mesmo termo. Mas aqui vou me atentar às prerrogativas mais comuns a respeito do tema. Vejamos:

Para Aristóteles, por exemplo, existe dois saberes práticos:

Técnica: Produto que se separa de você, como uma cadeira, por exemplo.

Ética: Nunca se separa do indivíduo, como o é a ação da injustiça que se volta sempre contra si mesma.

Assim para ele, obviamente a ética é mais excelente que a técnica.

Visão Ética: Moral x Reflexões.

O mundo contemporâneo costuma fazer a seguinte divisão:

Moral: Normas (no sentido de usos e costumes). Aqui a moral tem a ver com os hábitos gerando o conjunto das ações morais. Então as morais em povos diferentes e tempos diferentes variam de uma para outra. É isso que compõe a sociedade e domina os indivíduos, coletivamente falando.

Segundo o meu reverendíssimo professor metodista, a famosa poetisa Cora Coralina dizia que tudo que defendia não funcionava, sempre havendo um descompasso entre o que fazia e a moral vigente. Ela percebeu então que a moral tem um poder presente e quem a nega age como se vivesse fora do tempo.

De acordo com Vasquez e outros pensadores, o moralismo tem a ver com o generalismo, ou seja, a discussão geral, de questões Práticas. São padronizações, princípios, modos e regras.

Dentro desse raciocínio podemos fazer algumas definições importantes:

Ética: Reflexão sobre a prática. A ética procura a essência da Moral, seus critérios e suas mudanças. Logo, para alguns não existe diferença entre ambas. E eu mesmo não pretendo fazer tal diferenciação a não ser em vista do raciocínio dos pensadores aqui citados.

Comumente é dito que o que procura a atitude mediana é temperante. Eis o equilíbrio do “meio”, isso não é estar “em cima do muro”, mas avaliar na medida que lhe compete fazê-lo, inicialmente esta é a ética em Aristóteles.  Mas em termos abrangentes, ética não é essência, mas sim o Estudo da essência das morais, encontrando o eixo que as sustenta. Portanto ética não tem a ver com pratica, nesta perspectiva. Vasquez diz que a essência sempre vale para qualquer sociedade, assim a ética segundo ele é posterior a moral, uma vez que através da moral é que se reflete a ética. Porém obviamente outros autores vêem a ética como precursora, sendo portanto anterior a moral.

Questões etimológicas:

Ética: Ethos (epsilon) – Hábito, aparência.

Eta: Morada, a casa do homem, morada. Lugar de organização. Espaço de inventividade, Construção de um certo modo de viver.

Isso define nossas atitudes. A maneira como edificamos nossa casa.

Aqui a ética é anterior a moral, posto que nossas atitudes sejam vinculadas à maneira de como o mundo é organizado.

Moral antiética, um contrassenso=  Muitas vezes algo é considerado moral, porém não ético. Um bom exemplo disso é a noção de ideologia, que leva o indivíduo a uma “moral” particular do grupo, negando portanto qualquer outra que se oponha a sua ênfase.

Ética imoral=  Moral rompida. Aquele que rompe com padrões morais para supostamente buscar valores mais nobres. É moral, mas tido como imoral por uma moral mais rígida ou moralista por uma visão relativista.

Obs: O poder paralelo é um tipo de efeito colateral do neoliberal. Não é legitimo do ponto de vista ético porque parte de questões culturais invertidas, são apenas antagonistas que não levam consigo a prerrogativa da mente/consciência. O sentido da verdadeira ética imoral é o constrangimento da consciência diante de uma moral que na contingência do momento está agindo cruelmente por interesses escusos de aproveitadores, ou então numa segunda hipótese, o indivíduo imerso no dilema depara-se com uma contradição moral.

Sartre e Foucault:

Já foi dito, o homem está condenado a ser livre. Para, Jean-Paul Charles Aymard Sartre e Michel Foucault a existência está em construção. Mas ela também é um drama, e neste drama se constrói algo que volta-se paras si mesmo. Assim gera-se responsabilidade em nossas atitudes. O mergulho na existência é sem qualquer certeza, posto que não é algo definido, porque, conforme eles, é incerto, é dialético.  Alias a própria dialética é definida na práxis, na existência. O homem é um projeto que projeta-se sem parar, este é um ato de liberdade.  Para Sartre a busca é permanente, o caminho não foi feito, ele se faz caminhando. Resta-nos fazer escolhas. Assim a dor da existência é melhor do que teorias e manuais. A existência assusta por isso o conforto do homem em se apegar ao método pronto encontrado nos modelos de normatividade.

A revolução em Sartre é constante. Totalmente dialética. Nunca nega a capacidade de fazer escolhas. Isso é tido como cidadania em Sartre. Para ele não devemos nos moldar as coisas prontas. Em termos hegelianos somos o “para si”, ou seja a consciência para fora, como um sopro, um nada que pela sua leveza se transforma a todo o tempo.

Já Foucault, pergunta: “Será que o povo pode fazer escolhas sem tutores?”

O Estado moderno é estabelecido pela racionalidade humana, assim como o é a tecnologia. Ele diz: As luzes que descobriram a liberdade também inventaram as disciplinas.

Liberdades formais – Disciplina Real.

Tudo pela normalidade. O aprendizado é formal, feito para telespectadores. Triste certeza.

Nietzsche e a Ciência:

Em Nietzsche a verdadeira ciência encontra-se a partir das nossas sensações. Eis a reformulação da ciência. Deixar de acreditar na religião e passar a acreditar no Conceito é apenas uma substituição. Hermeticamente falando (conceito fechado) é a vontade de poder.

Como exercer a vontade de poder?

Não se submetendo. Exercer isso é exercer sua pessoalidade.  É se perguntar: Por que sentimos o que sentimos?

Para Nietzsche o ser real é o além do homem ou homem autentico, fruto de sua liberdade, legislador de si mesmo. Não nega a racionalidade nem a irracionalidade. Assim cada indivíduo deveria verificar a sua parcela dionisíaca(Impulsos) e apolínea (Razão). Aqui temos a influência da religião de mistérios da antiga Grécia, o Orfismo e sua contraposição sequencial, o Pitagorismo, no pensamento humanista do alemão. A primeira se apoia em Dionísio e a segunda em Apolo.

Nietzsche em hermenêutica busca compreender a realidade, sendo, portanto aparentemente um perspectivista, aquele que vê a distância e não meramente relativista. Ele busca um auto-governo. O indivíduo se coloca no mundo tal como ele é para agir com as próprias normas.

Mas a imposição de desejos não é justamente a pratica do hedonismo? Eis uma questão a ser tratada. Se o homem é quem deveria ser o que ele será? E se de lá sair um demônio em vez do super homem nietzschiano? Quem poderá conter a essência se ela for má? Isso seria subestimar o homem? Obviamente que não, mas alguns homens estão envoltos pelas profundezas da crueldade como se diz em teologia cristã. Veremos isso mais abaixo quando dissertarmos a respeito da Ética de Jesus e a miserabilidade humana.

Obs: Segundo Nietzsche quando um valor se universaliza ele esconde quem o criou, um humano demasiadamente humano. Para Nietzsche a base é o relativismo ético, concordando ardentemente com Espinoza  e negando concepções Kantianas de moral absoluta, embora o próprio Kant tenha sido o grande precursor do desmembramento entre moral e ética.

Ética e moral em Foucault:

Foucault era formado em psiquiatria e  psicanálise. Quando ocorreu o desejo de  empreender maiores esforços na filosofia  ele pergunta a si mesmo a respeito da origem  dos saberes. Assim inspirado procura no  decorrer do século XVI , XVII até seu presente tempo uma resposta a  questão.  Este período ele chama de  arqueológico, porque dá importância  aos  saberes produzidos, afinal no  século  XIX nascem muitas disciplinas:  Pedagogia,  psicologia, psicanálise,  psiquiatria,  economia, sociologia, a  medicina como  método ciêntifico, etc.  Estes são os  saberes contemporâneos.

Assim sendo Foucault percebe que a ciência e o  racionalismo ou cienfiticismo não eram neutros, dado o fato que, neles, existe um jogo de poder,  por isso para ele foi imprescindível avaliar as ciências, os saberes, com olhar crítico, investigando suas intenções e a forma como fora gerada também para conveniência.

Logo percebe que as relações de poder estão vinculando as  ciências ao controle de massa. Os  saberes que são eleitos como positivos  tem sem dúvida uma relação de poder.

Para Foucault o poder era multifacetado diferentemente da visão marxista, por isso estava direcionado a todos os meios inclusive o da tecnologia. Sabe-se que com a ocorrência dos direitos humanos pós revolução francesa, começou-se a buscar procedimentos disciplinares para não permitir práticas como, por exemplo, o suplício em público, a partir daí nasceram as instituições representativas das tecnologias disciplinares, o controle social passa a vigorar na base da total disciplina e não mais meramente no medo e a sentença de morte (Com exceção dos crimes de guerra é claro).

São investigadas as técnicas de controle e gerenciamento. Assim o tempo dos indivíduos no ambiente institucional passaria a ser controlado com sutileza.

Segundo ele, nas instituições os indivíduos respondem apenas as exterioridades, não se leva em consideração a sua subjetividade. A homogeneização é mais importante do que a interiorização.

Aliás, Foucault em suas pesquisas aprofunda-se nas técnicas disciplinares a que chamamos de = bio-política ou bio-poder, estudo do comportamento do homem enquanto coletivo. Assim esses movimentos serão determinados ou modelados por uma política específica.  Essas técnicas de poder usam o discurso das ciências humanas como desculpa para a manipulação.

Em uma passagem ele declara que a ciência é instrumento de poder, o saber como algo normatizado e normatizante. As normas são fixadas por um modelo determinado pela ciência. Percebe também que o homem contemporâneo é um homem sem liberdade, vive num convívio chantagista desde a família até a escola e indústria no seu aspecto puramente fordista. Segundo o filósofo enquanto as exterioridades determinarem os comportamentos nunca haverá verdadeira ética. Sem a ação autônoma ou autentica tudo não passa de verdadeiro aprisionamento, pois não há uma possibilidade de transcender a norma. Semelhantemente a Nietzsche e Antonio Gramsci apregoa uma transvaloração do senso-comum,  uma desconstrução  do berço da civilização ocidental = Cristianismo, Helenismo e Direito Romano.

Quando Foucault volta-se aos antigos gregos ele reconhece que os mesmos demonstravam maior liberdade, vê-se que ali o indivíduo construía sua subjetividade por autonomia transcendendo os comportamentos exteriores, interiorizando-se, escolhendo não por imposição mas por liberdade de fato. Há controvérsias sérias quanto a isso, mas a questão é que na ideia dele os instintos humanos, a razão, assim como conceitos intuitivos fazem o homem livre escolher por si mesmo e não em vista da arbitrariedade de seu nascimento. A existência autentica torna o homem mais feliz, assevera. No relativismo foucaultiano o ambiente da liberdade supostamente proporciona o verdadeiro caráter do indivíduo livre que aprende a própria responsabilidade. Aqui é perceptível que, no entender dele, os indivíduos são alienados de sua  personalidade, literalmente adestrados.

No entanto é importante sabermos que o projeto ético de Foucault é inacabado e se concentra na questão da normatividade da ética, até porque morreu antes de concluir seu trabalho. Se estivesse vivo talvez trouxesse mais luz ao tema, uma vez que na prática a labuta de vontades incide em regras mais rígidas e ditames institucionais e estatais dentro do ambiente exposto e imposto.

Para o autor a moral é um conjunto de elementos de regras exteriores que são imprimidas num caráter interativo universalizante dogmatizado, inquestionável, uniforme. Mas ele percebe também que alguns indivíduos não se adaptam a esta moral fixa levando-os a uma moralidade do comportamento que passa pela sua subjetividade transformando-os assim em sujeitos éticos.

A substancia ética, termo foucaultiano, se constitui pelo querer do homem no qual os valores éticos agem. As éticas atuam sobre a substancia da vontade dando vazão à subjetividade do indivíduo independente do modelo social.

Os homens partidários se reconhecem na moral de um determinado grupo, eles se ligam a maneira de ser do grupo, na técnica que absorve sua pessoalidade. Sua subjetividade atua na conformidade do moralismo sectário.

Em suma para ele, a ética do sujeito moral tende a uma relativização dos conceitos morais. A mais pura liberdade fará de fato o sujeito tomar forma. O contrario disso é viver como objeto camuflado dos moralizantes.

Nisto concordo com o seguinte ponto: Quando o indivíduo vincula as suas ações nas práticas de quem ele é, faz de si uma personalidade única. Ele subverte o subversivo para voltar a própria normalidade num mundo de estranhos.

Não anda pelo que os outros esperam ou pelo que as instituições esperam, mas reconhecendo-se a si mesmo, faz-se quem de fato é, absorvido pela contingência e emergência. No entanto não posso afirmar se  Foucault concordaria comigo nisso.

O termo moral ganhou contornos muito além de sua própria essência, assim alguém que fale de moral não necessariamente é um moralista desmotivado. A moral aqui abordada é a moral construída na casca social, vejamos a diferença:

Moral Código X Moral Ética

A moral código x moral ética fez Foucault criticar profundamente o sistema de poder nas instituições em geral. A busca do filósofo é obviamente a moral ética, a moral com base na individualidade que em psicanálise é individuação, o trabalhar da própria personalidade, na prática de ser o si mesmo independente da regra que lhe é imposta. Esse “si mesmo” é por assim dizer uma construção sincera da personalidade, uma tentativa de ser o mais livre possível para fazer escolhas pessoais que considerem o coletivo, diferentemente de Sartre que não vê chegada para a consciência que segundo ele estaria inserida no tempo.

No entanto, no que se refere a Foucault, até onde o compreendi, o indivíduo que começa a praticar algo que não está prescrito faz de si mesmo um ser personalizado, posto que sua atitude diante da imposição moral o torna legislador de si mesmo, mas uma legislação a qual toma como base o senso que tem reconhecido pela liberdade conforme quem ele é sem o quinhão da exterioridade, na perspectiva existencial.

Karl Otto Apel, Jurgem Habermas e Jean Paul Sartre:



Fato é que neste sentido a ética se coloca acima da moral, da Lei. Já a metafísica pressupõe valores intelectuais validos independentemente da história ou cultura não necessariamente vinculadas a realidade histórica étnica e cultural. Questões conceituais absolutas que agem como estranhas no convívio étnico, no cotidiano das pessoas, gerando culpa sem trazer nenhuma solução.

Karl Otto Apel e Jurgem Habermas sabiam que o mundo contemporâneo é um mundo pós racionalista e principalmente pós metafísico, assim por meio do discurso eles acreditam que através do contato ético pode-se alcançar um padrão, segundo eles, um caminho para ética através do consenso, ou seja, o bem ou o mal menor, para todos.

A existência de conceitos universais é compreendida pela necessidade. Mas a partir de Kant começa-se a pensar a ética além da religião, pois este filósofo a fundamenta na razão. Já no século XVIII e XIX, um período de crescente ateísmo, com Arthur Schopenhauer, Nietzsche e outros, começa-se a questionar a preeminência dos universais, ou seja, a razão não nos levaria a lugar nenhum, para os mestres da suspeita dizer que o homem moderno estava caminhando para um futuro melhor era pura falácia, como o era a religião no passado em seus mundos dimensionais. Aqui Schopenhauer é o total oposto do otimismo Hegeliano.

Mas existe algo a se avaliar  nesta nova base de pensamentos.

Como viver em uma sociedade com uma premissa inicialmente relativista proposta por Nietzsche e Foucault? Ou se não, aceitando o contexto normativo, seremos todos infelizes como diria Schopenhauer?

Segundo Karl-Otto Apel diante da existência dos universais absolutos metafísicos supostamente superados em sua padronização, seria necessário que houvesse um direcionamento, caso desejemos desafiar critérios absolutos com um pretenso relativismo.

Para ele é impossível que alguém que não esteja imerso numa situação possa opinar, com sua ética personalizada, um critério que solucione determinado problema em específico. Os indivíduos devem discutir com o uso da razão com os demais envolvidos sobre o problema conforme a propõe a demanda.

No entanto se a ética só se da no consenso, o que fazer no momento em que não existe o outro para discussão? Como agir eticamente se o outro diretamente atingido  não pode participar?  Será que devemos excluir as convicções subjetivas para discutir o assunto? Pense, por exemplo, em questões como eutanásia e aborto, embora exista o bom senso no conselho diante da circunstância proposto por Otto, fica difícil determinar esse padrão pragmático a todas as circunstâncias.

Resumindo esta é a Ética segundo Otto: O sujeito se constitui com o embate de ideias. A linguagem científica determina o foco permitindo o julgamento, possibilitando a unidade comunicativa.

Ética segundo Habermas:

Para Habermas fracassaram todas as  tentativas de se estabelecer uma moral  determinante. O terceiro indivíduo no  ambiente fora da pratica não teria condição  de julgar o fato ético. Isso ele mesmo  declara fazendo referencia a Kant ou as  Religiões em geral. Assim sendo a terceira  pessoa em relação ao ocorrido observado não  tem propriedade e legitimidade de julgar o  fato ético. O sujeito solitário não está apto  para o julgamento das redes de relações  inter-subjetivas. Só estando imerso para  tratar a problemática da ética.

Existe a possibilidade de criar universais  pragmáticos segundo Habermas.

Para ele o padrão não existe antes da ação.

Neste caso, chegar aos critérios éticos só é possível se os analisarmos a posteriori, diferentemente dos universais sejam eles religiosos ou laicos. Somente os universais consensuais podem dirigir o conceito ético, ou seja, segundo ele o indivíduo não se sente incomodado na sua subjetividade porque participa do consenso. Isso ele chama de universais pragmáticos.

Ética segundo Jean Paul Sartre:

O existencialismo de Sartre como humanismo (Ver Livro – Existencialismo e Humanismo). A existência do homem é anterior a sua essência. Essa liberdade determina que o homem não é delimitado por nada, nem por Deus que segundo ele não existe, nem por mecanismos como o inconsciente conceitual de Freud. O homem não tem nada que predetermine suas escolhas, porquanto se Deus não existe o homem passa a ser tudo. É isso que marca sua condição humana, a liberdade de ser, dada pela preposição de que nada pode padronizar ou determinar o indivíduo. Assim a ética sartriana implica na liberdade.

A existência precede a essência, eis aí um ponto a se avaliar entre existencialistas ateus e cristãos.

Se Deus não existe, temos uma espécie na Terra cuja a existência é anterior a própria essência, este é o homem, que não é nada mais nada menos do que ele mesmo, naquilo que faz e pratica. Escolher ser isto ou aquilo é sempre escolher o bem segundo Sartre e se o bem é para mim também o é para o outro. Esta é a noção de humanismo no existencialismo. Este tipo de solidariedade é uma simpatia com todos os homem, posto que a causa do ser para a morte o compele ao sofrimento. Assim eu me responsabilizo totalmente pelas minhas decisões como ser autômato. Essa liberdade é atraente inicialmente, porém gera muitas celeumas se avaliarmos mais de perto tais implicações. É difícil pensar em sempre ser responsável, ou mesmo de abandonar o senso de justificativa, porém num lado positivo leva o indivíduo a uma maturação, pelo menos em parte.

Ética em Cristo:

Se dissermos que Jesus mentia estaremos a  dizer que alguém fala a verdade! Mas quem  é este oráculo? Ora, a não ser  que fôssemos relativistas, isso não faria  sentido. É claro que as religiões são  contraditórias, assim como o moralismo,  ética e consciência são coisas diferentes.  Vejam o exemplo do competente cientista  Richard Dawkins um  cientista que ainda  vive na pré-história  filosófico falaciosa do  positivismo lógico.

A Bíblia não é um livro científico e nem pretende sê-lo. Paulo de tarso diz que a letra da Lei Mosaica (a Torah) mata, mas o pano de fundo, ou seja, o espírito ou âmago da mensagem tem como proposta a vida, daí a diferença de zelo em via do fanatismo e zelo de consciência em Deus.

Mahatma Gandh foi hindu até o fim, mas seguiu o preceito de Jesus na vida prática, no que se refere a humildade. Essa é uma demonstração milhares de vezes melhor do que a hipocrisia da pregação incessante e dos intermináveis esquemas filosóficos.

Gandh sendo hindu entendeu o espírito das boas novas de outra religião e derrotou o abuso do império Inglês. Ora, é nesse nível de consciência que devemos mensurar a ética do Messias. Jesus não veio fundar uma religião (no sentido de ser mais uma entre milhares), pelo contrário, com base no 1°livro existencial da história, a saber o livro de Eclesiastes ele fundamentou seu modus operandi na vida real, no conhecimento que pulsa na veia e não na competição religiosa que hoje é alimentada pela indústria sensacionalista, afinal isso vende bem e compra bem.

No estudo dos moldes da cristandade via escritura e pratica, vê-se um perfil salutar em Deus conquanto fornece pistas de seu desejo de render o homem sem a força, na permissão de deixá-lo errar e aprender errando. Existe um conceito chamado “fator Melquisedeque” que os cristãos conhecem mas a maioria não entende, tal conceito ensina que a verdadeira religião é a consciência amadurecendo a cada dia e num certo sentido diminuindo a cada dia até que a miserabilidade humana se evidencie e o homem se veja cego, pobre e nu, então quando o mesmo estiver pronto para a revelação de novos elementos da vida, a receberá de Deus.

É a bíblia que diz isso? Sim, mas com o testemunho da própria existência. Neste caso quem poderá contestar tal coisa?  Lendo Soren Kierkegaard, C S Lewis e outros autores que tratam do tema percebemos que a consciência cristã em sua essência é um verdadeiro gigante se comparada a instituição cristã nominal, muitas vezes pérfida e mesquinha.

Para alguns indivíduos Deus é um problema, caso não seja uma divindade deísta.

Ora, diz-se que as profundezas de satanás só satanás entende, dito isto fica evidente que o conceito de espiritualidade gradua no postulado dualístico, não entre deus bom e deus mal, mas entre o bem e o mal que Deus único permitiu manifestar-se. Como Agostinho diz (parafraseado): “O mal é a ausência do bem, ou o bem corrompido”.

Mas o que te diz a razão humana?

Ora, como um deus onipotente pode permitir que os genocídios aconteçam a torta e a direita?

Ou como ele pode deixar uma criança ser estuprada e morta? Em síntese, porque deixa o mal agir na terra? Razoavelmente falando se deus existe ele é o diabo, do contrário o fato inexorável é que somos produto de uma evolução cósmica e biológica advinda do caos primordial?

Mas então surge Jesus com uma razão sine qua non. A Lei mosaica em via escriturística manda punir a mulher adultera a pedradas dentro de um conselho organizado e bem estabelecido, posto que seja uma prática legislativa e não homicídio doloso como muitos idiotas pensam. Fato é que o legislador inicialmente deveria cumprir a lei sem ódio intencionado ao transgressor. No impasse de se seguir a torah milenar de Moisés os judeus apresentam uma adultera para que Jesus a julgue. Negando ele a lei a culpada viveria, mas se saberia que o nazareno era falso profeta por não se submeter a Moisés, acatando ele a condenação da mesma ela morreria levando abaixo sua pregação de voto de misericórdia. Eis aí um problema ético.

Qual a resposta que ele escolhe???

Ora a da contingência! E é por ela que segundo ele todos serão julgados. Não estava do lado nem de religiosos fundamentalistas e tão pouco dos relativistas, estava do lado da demanda que o momento exigia, ou seja, brincadeirinha de igreja e elitismo ceticista são fardos que no final das contas ninguém pode suportar sem adoecer a alma ->fato inconteste!!!

Se satanás conhece suas profundezas é porque é espírito e espírito é o âmago do ser. Sendo simplório, se Deus disse pra Moisés que o nome divino é “Eu sou o que Sou”, está se referindo a sua essência. Assim sendo o espírito na linguagem judaico é a própria pessoa em essência. Mas isso são só conceitos, por certo os conceitos de outros grupos étnicos são diferentes, mas a pergunta que fica é: Porque são similares? Porque você distingue o certo do errado hora defendendo suas prerrogativas, hora atacando o que reconhece como injusto?

Quem lhe deu o senso de justiça? Ou qual a base do seu discernimento?

Que senso é esse que fez Nietzsche e Foucault julgarem como ridícula a noção de moral socialmente aceita voltando-se para a Hermenêutica dos termos?

Ora, com isso quero dizer que a essência da Torah mosaica é o senso de justiça que habita na consciência e amadurece na maturidade e não meramente uma exterioridade que se limitava a rituais e leis comunitárias. Posto isso, Jesus oferece a loucura de crer em um Deus de amor num mundo atroz que conforme ele diz,  jaz no demônio, este que criado em amor procura matar sua própria raiz se abstraindo do Uno..

Com tudo o que disse, minha intenção é esclarecer que a letra que os detratores acusam de contradição e devaneio existe para testemunhar ao mundo quem é o próprio mundo, de sorte que só a Emanação Eterna pode testificar de Deus. A letra, mesmo constituída como sagrada, em sua limitação continuará testificando a miserabilidade do mundo.

Neste caso a moral convicta que faz um indivíduo criticar a moral de outrem é a própria testificação de legislação na consciência humana. Ora,  C S Lewis pergunta com razão:

“Isso não supõe a existência do Legislador?”

Quem te fez criticar Deus por ele deixar que o mal perdure por um tempo senão seu senso de justiça dado por ele mesmo? Na posição de criatura isso é contraditório, mas na posição de criador da própria moral é egoísta.Porém se não existe ética universal quem poderá te condenar não é mesmo? E se é assim, continuaremos as discussões acaloradas no campo filosófico onde minimizar as religiões aparentemente é o mesmo que minimizar a Deus. Ledo engano!

Ética em Paulo:

“Porque todos os que sem lei pecaram, sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram, pela lei serão julgados.

Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados.

Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei;

Os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os”

Romanos 2: 12-15

Paulo de Tarso o apóstolo fora do tempo, foi o primeiro a sugerir uma certa relativização da Lei no sentido de que em essência ela, a Lei Mosaica em via de sua exterioridade, não poderia compor todos os parâmetros da vida cotidiana. A Lei deveria ser viva, mediante a fé, como o é a vida e não engessada a mercê dos escribas e julgadores, frios, calculistas e matemáticos.

Jesus avalia o ESPÍRITO da LEI e não a letra. Não é a toa que Paulo diz que a letra mata, mas o espírito vivifica, justifica.

Com base nisso poderíamos nos perguntar:

Se os judeus reconstruirem o templo em Jerusalém, deveríamos acatar a ordem expressa de apedrejamento a todos os pecados que envolvem tal sentença na Torah, simplesmente porque a Lei externa partiu de Deus?

Infelizmente alguns religiosos e na verdade a sua maioria sejam cristãos ou não, investem tempo demais julgando vírgulas e não sabem julgar o contexto dos acontecimentos e tão pouco podem entender as abstrações que aparentemente envolvem contradições. Ora, fazendo assim eles pecam contra a existência.

A religião desses é a da escrita. Digo isso não por irreverência às escrituras, mas porque não quero coar um mosquito e engolir um camelo.

Faria se julgasse lícito, a guerra de Deus?

Ora, Pode o Espírito da Lei ser contra a Lei?

Isso é incoerência numa visão inicial. Mas se a intenção é avaliada, parte da Lei pode ser cumprida com a negação de sua essência. O grande exemplo é a parábola do Bom Samaritano.

Não é na Lei que se diz que devemos amar nosso próximo?!

E a síntese da Lei não é o amor a Deus e a sua Criação?!

Desta forma a Essência da LEi, assim como seu espírito é o Amor em todas suas aplicações, com toda sua cordialidade, verdade e virtude, no entanto a própria virtude deve ser viva, posto que se for apenas uma imagem congelada passa a ser alvo justo dos relativistas.

A virtude é como uma imagem. Se a imagem é viva, sabemos que ela está se transformando, no entanto se está fixa como numa fotografia, sabemos que nela não existe vida e onde não ah vida não existe o Espírito de Deus. Lembrem-se a Letra congelada mata, mas o espírito vivifica, posto que é vivo também  interage com as contingências da vida em seu carisma, ânimo, dinâmica e entusiasmo.

Se você é religioso pense bem: Com a intenção pura e transgressão mínima Abraão seria culpável perante Deus uma vez que a Lei é eterna?

Não foi a Lei dada num certo período da História, muito depois de Abraão?! Sendo assim não é lícito pensar que ela se forma por uma LEi universal que habita na existência em consonância com a consciência humana numa legislação divina, como é no caso das diretrizes noéticas via interpretação rabínica?

Ora, todo antropólogo deveria saber que existe uma moral universal, ou seja, que habita todos os povos da Terra, inclusive as tribos canibais. Isso digo porque é óbvio que para qualquer ser humano na terra receber um pisão no pé dado por um estranho é ofensivo, a não ser que de antemão forme-se uma cultura para atribuir ao pisão do pé um ato de amizade ou virtude.

Foi por isso que disse que o discurso religioso perante a existência se torna medíocre, porque a existência exige novas demandas todo o tempo. Então é óbvio e necessário uma essência, uma maturidade na consciência e não apenas Leis rígidas cheia de cabrestos religiosos ou ideológicos. Assim estamos reconhecendo a natureza humana e os percalços da vida. Isso não é a fuga da inocência, mas a inocência em si pelo ato de humildade perante a grandeza da existência.

Jesus ensina, portanto, que a Lei é viva e multiforme, ela se flexiona pela própria essência, posto que nós vivemos e Deus é Deus de vivos, não de mortos e de pedras. Com isso ele, Jesus, não nega a Lei, mas faz com que a Lei testifique de um Deus vivo e não de um monstro cósmico deísta que abandona suas criaturas com regras empedradas.

Ora, todo mestre espiritual sabe que cumprir algo não necessariamente significa ser este algo, isso posto, não vejo razão para acusar Jesus de negar a Lei, uma vez que não negou a intenção de Deus quanto a aplicação da Lei.

Justificaria por causa da letra a matança e esmagamento de outros povos?

Caso obedecesse, faria por D-us, na fé que Ele disse em plena sabedoria em tais tempos de barbárie justificando a guerra de Javé?

Mas se fizesse pela letra só estaria demonstrando um espírito homicida. Coisa esta que o próprio D-us abomina.

É nessa coerência que Jesus ensina a Lei, em todas as questões relativas a Torah.

Não existe discordância,  existe exortação quanto ao abuso dos burladores da legislação vigente e da moralidade, ou seja, aqueles que pelo cumprimento da mesma por vaidade infligem males sobre outros, estes que estão programados e não desenvolveram consciência subjetiva no objetivo.

Na confraria da letra é que os fariseus mataram por zelo. Ora, zelo de morte, de ódio, de ofensa, pretensamente pensando que faziam a vontade do Eterno, mas nem Alah de Mohamade pediria atos de sangue por hipocrisia como os destemidos letristas.

Que me adianta ser zeloso da Lei e da Moral grupal a ponto de matar por fidelidade, se desprezo meu próximo na beira do caminho?

Aceitarei a lei na letra e negarei a fé na vida?

Mas é justamente isso que nós fazemos todo o tempo!!!

Já vi alguns judeus religiosos e zelosamente ortodoxos reverenciando Nietzsche simplesmente porque o mesmo criticava arduamente a cristandade. Esses avaliaram todas as abstrações de suas palavras e julgaram-no homem de alto nível, mas com o Nazareno, seu próprio irmão, não existe tolerância, simplesmente pisam nele sem misericórdia com o mesmo zelo que tinham os acusadores neo testamentários.

Ninguém pode monopolizar a Deus assim como ninguém pode conter a  perspectiva predominante em seu coração, dado o fato que a mesma interage com outros também. Se és ateu o será para si mesmo, no trabalhar de sua subjetividade, na leitura que sua intuição faz do mundo, daí partirá sua criatividade, porém isso não o tornará infalível.

Será que com isso estou novamente vinculando a ética  ao calcanhar da Religião no modelo antigo pretensamente superado?  O que digo, digo na posição da existência que engole o existencialismo, assim posto, da mesma maneira que Sartre serve-se de seu ateísmo para uma posição teórico- existencial,  também eu me sirvo de Deus como sendo a fonte da sabedoria e do conhecimento e aí sim as implicações serão avaliadas, visto que a liberdade humana vincula-se a liberdade maior do que ela. Assim sendo, não sou louco de subverter o berço de nossa civilização.

A Lei é a Vida.

Vídeo:

Em plena segunda guerra mundial, os judeus são enviados a campos de concentração, sofrendo horrores nas mãos dos nazi facistas. Mas nem todos os nazistas seguem seu “deus” com fidelidade. Oscar Schindler, pelo menos o do filme, demonstra a verdade que muitos religiosos ou relativistas não entenderam e nunca entenderão.

Salvação…

Isso que Schindler fez é Obra ou Graça? Serão salvos pelas obras os que fazem as obras pela graça, porque pela graça já são salvos mediante a fé.

Afinal, em que livro está escrito:”Dê água aos judeus presos em vagões num dia de calor intenso?”. Mas está escrito: “Ama ao teu próximo como a ti mesmo”.

Mas será possível amar sempre? É razoável dizer: “Ama teu inimigo”? 

Ora, é razoável pensar em amar quando você percebe sua total incapacidade em fazê-lo.

 

comentários
  1. Eu disse:

    Texto muito bem elaborado, mas teve hora que chegou a dar sono. Poderia ser mais resumido.

  2. Suely Leal disse:

    estou muito feliz por ter encontrado esse blog, pois me ajuda bastante em minhas pesquisas. Desde já muito obrigado e uma boa tarde a todos do Blog.

  3. Alexandre disse:

    Dizer que este texto deu sono, seria semelhante a questionar-se sobre a necessidade de cavar um poço. Porque faria? Tenho água tratada e encanada!

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